História N. Sra. Natividade
         
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Acho que isso não é nem uma história e sim um diário aberto.
Não reparem erros de concordância ou português porque o que irão ler a seguir é apenas uma passagem em minha vida que jamais será esquecida e com um final feliz.
Em junho de 2002, meu querido filho João Ricardo Campbell Maia de 05 aninhos, começou a reclamar de dores na coxa esquerda (somente a noite). Como qualquer mãe esperei um pouco para ver se passava, o que não aconteceu, para levar ao pediatra. Chegando lá ele me indicou um ortopedista que nada constatou e mando eu dar aspirina à noite e retornar a ele em 15 dias. Quando retornei, ele disse que a dor era assim mesmo (o que já não gostei) e pediu um exame de ressonância magnética para maior detalhes, mas, alguma coisa no médico não me agradou e junto com minha família decidimos procurar um especialista infantil que foi a maravilhosa ortopedista Dra. Lilian Helena Dias indicada pelo filho do meu padrasto o Dr. Vitor Costa ambos do Hospital do Andaraí – RJe que também era conhecida de meu cunhado o também ortopedista Dr. José Luiz Lacerda.
Chegando lá depois de esperarmos por 3 horas, pois, estavam em reunião, não fomos atendidos porque o raio-X do hospital havia quebrado. Daí marcamos com ela em uma clínica que ela atendia também que, por coincidência, é de um amigo do meu marido. A dor continuava e não era só mais a noite tinha começado de dia também. Na primeira consulta não nos foi explicado o que poderia ser porque é muito difícil e arriscado dar algum diagnóstico sem exames, mas, já foi nos dito que não poderia ser aquela dorzinha comum de crescimento porque essa dor de crescimento não acomete um lado só da perna e sim os dois lados. Foi pedido um exame de cintilografia no qual apareceu uma grande lesão no ilíaco esquerdo que não tinha aparecido nos raios-X de pouco tempo atrás.
Com o resultado da cintilografia foi pedido uma tomografia computadorizada (a qual meu lindo filho fez sem anestesia nenhuma e sempre com muita coragem e determinação) e que apareceu a lesão com um tamanho maior ainda em menos de uma semana.
Neste exame meu filho estava sendo acompanhado pela Dr. Lílian, e pelo Dr. José Luis que ficaram muito preocupados pelo aumento da lesão em tão pouco tempo.
Esta tomografia computadorizada fez que com que a Dr. Lilian pedisse uma biópsia urgente (o exame foi na quinta dia 25/07/02) e a biópsia realizada em 29/07/02 por meio de agulha (não reparem termos técnicos, sou uma simples mãe) Imaginem o nosso sofrimento vendo nosso pequenininho passando por tantos exames: em dia só, sangue de manhã, tomografia computadorizada a noite e o pior sabendo que ele teria que fazer essa cirurgia de biópsia?
Em uma tarde neste período minha irmã (esposa do meu cunhado médico que estava acompanhando tudo) esteve aqui e ligou para ele para saber o resultado do exame de sangue e o resultado não era bom. Acho que foi o único dia que me desesperei a ponto de berrar com minha doce empregada, coitada, e chorar com vontade de arrebentar minha cabeça na parede.
Na segunda feira após jejuns e preocupações de todos nós ao 12:00 hs foi realizada com sucesso a biópsia sem maiores complicações para termos o resultado após 4 dias.
Na quinta feira dia 01 de agosto a Dra. Lilian me ligou dizendo que a biópsia tinha dado "NORMAL" e que não tinha nada maligno. Minha felicidade foi tão imensa que comecei a berrar e fiquei tão emocionada que desliguei e fui comemorar com minha família, só deu tempo de escutar a Dr. Lílian pedir para eu levar meu filho no sábado no consultório dela para tirar os dois pontinhos que ele levou com o exame da biópsia e que ela levaria os exames para um outro médico conhecido dela ver porque ela estava achando estranho o resultado ser normal. Quando chegamos ao consultório felizes da vida, eu, meu marido e minha mãe, para tiramos os pontos, ela pediu para falar a sós comigo e com minha mãe sem o João Ricardo ...... nós trememos de medo , mas, não tinha outro jeito.
Com todo jeito e psicologia possível (mas não tem jeito mesmo) ela nos explicou que não poderia esta biópsia dar normal porque existe uma lesão no meu filho que tem que ser diagnosticada e que este não seria o diagnóstico final dela e que ela precisaria fazer outra biópsia só que agora aberta e o pior na próxima segunda mesmo dia 05/08/02 exatamente uma semana após a 1a. Não tem palavras para expressar o que senti naquele momento, depois de todo o desespero de pensar que algum mal poderia acontecer ao meu filho e sempre rindo e brincando com ele para ele não perceber, achando que já tinha acabado o sofrimento e receber a notícia que estamos na estaca zero? Foi simplesmente horrível, desesperador mesmo. Eu só sabia repetir o mesmo palavrão sem parar de tanta raiva e medo e ela ainda disse que meu plano de saúde aceitava radioterapia e quimioterapia e que tudo tinha cura.
A minha mãe na consulta disse que ela estava enganada, que meu filho não tinha nada e que ela ia ficar chateada com a Dra. Lilian em abrir meu filho de novo para nada porque ele já estava curado (foi um misto de brincadeira e sonho). Eu pensava que meus dias de sofrimento em acordar e a primeira coisa que vinha a cabeça era pensar : eu não acredito que isso está acontecendo, só pode ser um pesadelo, tinham acabado... que nada estava tudo na mesma.
Passei o final de semana rezando e pedindo a Deus e a Nossa Sra. De Natividade (foi quando fiz a promessa que se meu filho ficasse bom, eu mandaria fazer um site em homenagem a Ela) para que meu filho não estivesse com nada de ruim, mas ao mesmo tempo pedindo para me dar forças para eu poder cuidar dele porque segundo os médicos a probabilidade de ele estar com um tumor maligno era muito grande, inclusive a Dra. Lílian pediu a opinião de um oncologista amigo dela muito conceituado que também achava isso e se ofereceu gratuitamente para acompanha-la na segunda biópsia de meu filho devido a primeira não ter dado nada.
No dia 05 de agosto de 2002 foi realizada as 18:00 hs, (pior ainda para fazer o jejum dele, minha mãe que segurou esta tarde toda sozinha) a segunda biópsia com a Dra. Lilian, o Dr. José Luis (incansavelmente nos dando apoio em tudo , pois não podia cuidar do meu filho pelo vínculo emocional, somente com sua presença, experiência, competência, amizade e tudo mais que as palavras não conseguem descrever porque o que ele fez só consigo expressar pelo coração... ) e o Dr. Walter Mohas.
Tinha buscado pela internet várias rezas para me confortar e imprimi todas para ler durante a cirurgia só que coloquei todas em um envelope junto com os exames e minhas rezas acabaram indo para a mesa cirúrgica também (o que foi ótimo). Durante a cirurgia ficamos todos ao lado de fora rezando, minha maravilhosa mãe, meu padrasto, meu marido, minha irmã, minha amiga Gisela, minha comadre Patrícia, e todos rezando e pedindo muito a Deus que tudo corresse bem.
A cirurgia correu normal, mas pela cara dos médicos eles achavam que era maligno principalmente meu cunhado que falou que o osso estava "esfarelando". O Dr. Walter Mohas disse que iria a São Paulo, mas voltaria se precisassem dele (tipo radioterapia, quimioterapia). Passamos a noite no hospital e minha incansável mãe (a qual não tenho palavras para agradecer tudo que fez por mim e pelo meu filho) e viemos para casa de manhã com o meu filho em uma cadeira de rodas. Foi realmente horrível, ele sentia dores, não se mexia... sei que estou sendo repetida mas a única palavra que resume o que eu sentia era desesperador..... Minha amiga Gisela ( que ficou comigo o tempo todo) perdeu a mãe na mesma época e ela me disse que se tirasse um raio X de sua alma estaria um buraco enorme , eu acho que se tirassem da minha não iria aparecer nem minha alma.
Continuamos na terça com todos os cuidados com ele e na quarta iríamos leva-lo para o curativo na Dr. Lílian as 18:00 hs. Antes de sair para o consultório liguei para o meu cunhado para saber se ele tinha algum resultado da biópsia e ele disse que não sabia de nada.
Enquanto estávamos esperando na recepção do consultório meu celular tocou e era meu ex-marido (pai do meu filho) me dando parabéns porque meu filho não tinha nada e que não era maligno. Eu disse para ele que estava louco porque eu tinha ligado para o Zé e ele não sabia de nada como ele iria saber se ele não foi presente neste episódio?
Neste mesmo momento a Dra. Lílian chega no consultório e diz para minha mãe do mesmo jeito que eu havia sonhado " Não brigue comigo, mas, seu neto realmente não tem nada grave mas só agora posso dar o diagnóstico final" A minha felicidade, de minha mãe e do Luis (meu marido que foi espetacular, maravilhoso, amigo, útil, paciente e tudo mais que existe de bom em um ser humano ser, ele foi comigo e com meu filho) era tão imensa, a gente chorava e berrava tanto que uma moça que estava esperando na clínica para ser atendida perguntou se a notícia era boa ou ruim.
A Dra. Lílian na hora falou assim" vocês acertaram na mega sena".O que meu filho teve foi Histiocitose X , ou células de Langhans, ou ainda é chamado de granuloma eosinfofílico. É um tumor benigno que não tem causa aparente e que regride com o tempo e na segunda biópsia essa maravilhosa Dra. Lílian já tinha descomprimido o osso que estava causando a dor e que não seria nem necessário uma segunda cirurgia porque ele iria regredir sozinho.
Eu pensava e rezava para Deus e Nossa Sra. De Natividade me dar forças para agüentar maiores sofrimentos que tudo indicava ainda estavam por vir e ter um milagre destes só pode ter sido obra dela.
Por isso que resolvi fazer esta página em agradecimento e para que todos tenham fé como eu e todo minha família tivemos, que vai dar tudo certo. Se quiserem saber mais sobre esta rara doença pode me passar e-mail que eu indico links para vocês.

Obrigada por lerem minha história e nunca deixem de ter fé porque nós passamos por esta provação de Deus e Nossa Sra. De Natividade nos salvou. Até minha querida filha de 13 anos, Karina que ainda não mencionei, que sempre acorda tarde e que para ir ao laboratório com a gente para ele não chorar, acordou cedo e feliz, está com a fitinha de Nossa Sra. De Natividade no pulso até arrebentar (fez promessa) e foi um doce quando precisei dela. (como sempre, minha filha é bonita, esperta, inteligente, determinada e amiga).
Vou encerrando para não ficar um livro (assunto teria se contasse todos os detalhes) ao invés de um resumo de uma parte importante da minha vida e de toda minha família.